Doodle: Dueto


Um Dueto que vive de 
pele,
olhos,
voz,
desejos,
vontades enlaçadas,
dicções,
refrações de silêncios,
portas abertas,
paixão,
entrega desmedida,
riso,
passado esquecido
e presente estimulado.

Um Dueto sempre inacabado
e sempre em construção.

Sofia Martinho

Dia da Mãe


Só por isso, Mãe

Mesmo que a noite esteja escura,
Ou por isso,
Quero acender a minha estrela.

Mesmo que o mar esteja morto,
Ou por isso, 
Quero enfunar a minha vela.

Mesmo que a vida esteja nua,
Ou por isso, 
Quero vestir-lhe o meu poema.

Só porque tu existes,
Vale a pena!

de Lopes Morgado

1 de (des)Maio - Dia do Trabalhador

Numa sociedade cada vez mais inóspita ao valor da palavra Humanidade e aos valores sociais, a dignificação do Ser Trabalhador parece uma miragem. O futuro assume-se como uma página em branco, endossada à ausência de planos e às ideologias dominantes, experientes em roubar direitos e impor deveres. Já são muitos os peregrinos neste futuro, alguns mais sobreviventes do que outros. Sem perder bondade e humanismo, mantermo-nos inquietos e inconformados neste estado de coisas pode ser o início de uma revolução, que nos ajude a reafirmar os direitos sociais com que o Homem evoluiu.
Sofia Martinho

"Ogni individuo ha diritto al lavoro, 
alla libera scelta dell'impiego, 
a giuste e soddisfacenti condizioni di lavoro
 ed alla protezione contro la disoccupazione."

Dichiarazione Universale dei Diritti Umani (Articolo 23), 1948


"Todo o indivíduo tem o direito ao trabalho,
 à livre escolha de emprego,
 a condições de trabalho justas e satisfatórias
 e à proteção contra o desemprego."

Declaração Universal dos direitos do homem (artigo 23), 1948

Ama-te sem parar

Sofia Martinho



"Tudo aquilo que abraças com paixão fica para sempre como parte de ti mesmo. Quanto mais acreditas na felicidade, mais destinado estás a encontrá-la. Sempre que te sentires só, procura ir ter contigo antes de ires ter com qualquer outra pessoa. Em tudo na vida tens sempre uma alternativa, nem que seja apenas provisória. Ama-te sem parar."


Por José Micard Teixeira 

25 de Abril - Liberdade e Revolução

Lembramo-nos da Liberdade neste dia, mas devia ser todos os dias... da Liberdade para não sermos escravos de dogmas, dos nossos e dos que nos são impostos; do regime capitalista que nos atrofia; das ordens de obscuros, corruptos e sórdidos interesses; de sermos irreverentes, incómodos, provocadores, inteligentes e solidários; de procurarmos a transformação social; de escolhermos e decidirmos; de progredirmos lúcidos sem tirar Paz, sem alienação e sem medo dos sonhos... E fazermos uma Revolução na navegabilidade da Liberdade, nossa e dos outros, na construção e celebração da vida.
Sofia Martinho



"O mais importante é a mudança.
Porque se você tem mais medo da mudança
do que da desgraça,
 você não impede a desgraça."

Por Max Frisch

"Fresh Love"

Fotografia de Photographer Hal



"O que é forte e verdadeiro,
não precisa de muitas explicações,
nem justificativas e cobranças:
é livre!
Está ali, nunca se perde,
nem se enfraquece... 
Mas há que se doar."

De Carolina Salcides



A propósito destas palavras lembrei-me da série de fotografias "Fresh Love" de Photographer Hal, com casais embalados a vácuo... Fotografias desconcertantes, mas o conceito é impressionante: o amor embrulhado a vácuo, em que o casal se torna um só, sem influências externas que o deteriorem. Eterno.
Contudo, não pode ficar esquecido que todo o relacionamento é um processo, uma construção, que não nasce do dia para a noite e que precisa de esforço e doação para manter as suas propriedades.

Sofia Martinho


Mais fotografias de Photographer Hal aqui:

Palavras Azuis V

Talvez sejamos isto: um piano com as cores de Pollock.

À semelhança da técnica usada por Pollock, às vezes sinto que a vida é também assim: um respingar, um 'dripping', de sensações, situações e pessoas, que se entrelaçam para nos tornarmos Nós. Podemos parecer ou sentirmo-nos um fractal expressionista, mas somos um Todo Ser Humano com acumulação de experiências e cores. 
Volta e meia temos que ir ao chão, sentirmo-nos por dentro e partir do zero, para voltarmos a ser expressão da nossa existência. Desconexar para voltarmo-nos a conexar: sem metamorfose não descobrimos possibilidades e a nossa vida não passa de roupa cingida ao nosso corpo vertebrado.
À semelhança da técnica usada por Pollock, às vezes podemos ser expressionistas abstratos, delirantes, furiosos, com fases a preto e branco ou de todas as cores... mas nunca seremos vazios e, no fim, o que parece caótico e isento de sentido, fará um Todo: Nós, o Ser Humano, a mais completa obra de arte.
Sofia Martinho


PensaDito

Dia do Beijo - 13 de abril

"Num único beijo saberás tudo aquilo que tenho calado."

Por Pablo Neruda

“O beijo”, de Rodin. 1888/1889, mármore, 181,5 cm × 112.3 cm

AR-TE





desenhAR-TE seria apenas o início,
depois viria o olhAR-TE
e o escutAR-TE

amAR-TE só no fim:
o único fim possível,
depois de riscAR-TE  completamente.

Sofia Martinho

Perspectivas







A grandeza das perspectivas está para além da sua superfície. Está na capacidade de aliar rostos e crenças, uma vez que vão todas pelo mesmo caminho: vaticinadoras ou não, encrostadas na experiência e na opinião. Todas as perspectivas  nascem da mesma forma.
Sofia Martinho


A Quimera de Um Olhar

Quimera ler só com um olhar o que te preenche e adivinhar-te o futuro. Apreciar-te sem escravizar na descoberta de um olhar inquieto e palpitante.
Quimera sermos antecipadamente Um através de um olhar concebido.

Sofia Martinho

Doodle: Narrativa Perpétua

Somos feitos de átomos que nos permitem ver para além das aparências. Num momento, guardam a essência de todos os sorrisos e olhares. Trazem para nós memórias sem idade.
Sofia Martinho



São pessoas como TU.

Palavras. Seria-me difícil dizer e escrever melhor do que estas palavras. São as certas, as justas, aquelas... Aquelas que Tu mereces. Aquelas que uma pessoa como Tu merece.
Sofia Martinho


"São as pessoas como tu que fazem com que o nada queira dizer-nos algo, as coisas vulgares se tornem coisas importantes e as preocupações maiores sejam de facto mais pequenas. São as pessoas como tu que dão outra dimensão aos dias, transformando a chuva em delirante orvalho e fazendo do inverno uma estação de rosas rubras. 

As pessoas como tu possuem não uma, mas todas as vidas. Pessoas que amam e se entregam porque amar é também partilhar as mãos e o corpo. Pessoas que nos escutam e nos beijam e sabem transformar o cansaço numa esperança aliciante, tocando-nos o rosto com dedos de água pura, soltando-nos os cabelos com a leveza do pássaro ou a firmeza da flecha. 

São as pessoas como tu que nos respiram e nos fazem inspirar com elas o azul que há no dorso das manhãs, e nos estendem os braços e nos apertam até sentirmos o coração transformar o peito numa música infinita. 


São as pessoas como tu que não nos pedem nada mas têm sempre tudo para dar, e que fazem de nós nem ícaros nem prisioneiros, mas homens e mulheres com a estatura da vida, capazes da beleza e da justiça, do sofrimento e do amor. São as pessoas como tu que, interrogando-nos, se interrogam, e encontram a resposta para todas as perguntas nos nossos olhos e no nosso coração. 

As pessoas que por toda a parte deixam uma flor para que ela possa levar beleza e ternura a outras mãos. Essas pessoas que estão sempre ao nosso lado para nos ensinar em todos os momentos, ou em qualquer momento, a não sentir o medo, a reparar num gesto, a escutar um violino. São as pessoas como tu que ajudam a transformar o mundo."


de Joaquim Pessoa
in 'Ano Comum'

Descoberta de um Olhar


"Olha. Olha sempre. Olha muito. Olha com olhos de tocar, com olhos de sentir, com olhos de abraçar, de amar, de odiar até. Mas olha. Nunca deixes de olhar. É pelos olhos que a vida acontece. Mesmo que estejas com eles fechados, mesmo que eles não consigam ver. É pelos olhos que a vida acontece. 

Por Pedro Chagas Freitas
in "Prometo Falhar"






Doodle: Eye Obsession

Confesso a minha obsessão por olhos. Eles são absorventes, transparentes e do tamanho do que é invisível. Derramam tudo o que somos e mesmo aquilo que não queremos mostrar. Os olhos são a minha fraqueza e a minha obsessão, porque nunca consegui fazer dos meus olhos muralhas, sempre foram espelhos. 
Não há penumbras nos olhos. Fundem tudo. São o nosso exílio e a porta de entrada para o que nos é mais recôndito. Quem for capaz de atravessar os nossos olhos, fica com a nossa alma à vista. Nem vale a pena conspirarmos.
Sofia Martinho

PensaDito




"My point is, 
life is about balance. 
The good and the bad. 
The highs and the lows. 
The pina and the colada.”

Por Ellen DeGeneres

A Parede da Transfiguração

A parede vai mudando de aspeto e cor, vai-se transfigurando à medida que as descobertas vão acontecendo e os trabalhos concluídos vão sendo acolhidos noutras paredes. A minha Parede da Transfiguração, do mistério, da linha dividida entre o meu imaginário e o resultado alcançado. Infindável. Às vezes, indomada. Inquieta. Coerente e Incoerente, com aparências por concluir que mais ninguém lhes consegue prever o andamento, a não ser eu, e que só a mim fazem sentido. A parede é minha parceira, permanece em silêncio até eu ter vontade, tempo e inspiração de lhe tocar e transfigurar. Outras vezes, provoca-me e alicia-me... faz crescer a vontade de imaginar, experimentar, evoluir, alcançar e contemplar. A Parede da Transfiguração está sempre incabada.
Sofia Martinho



Podíamos ficar assim.

Mas as palavras continuam as raízes e agarram sentidos ocultos. Tudo fundido, desmedido, complexo e aliciante. São bruxaria e terapia.
Sofia Martinho

Pilares do Conhecimento


Aquilo que nos define é grande: o nosso Conhecimento de nós e do mundo.
Somos constantemente honrados por acontecimentos, palavras, figuras, dos quais tiramos ou devemos tirar sempre proveito para nos edificarmos. Tudo serve para a nossa construção. Mas a Paixão, aquela que causa assombro e de que somos rendidos admiradores, é o grande início da nossa procura e do que fazemos. Aprendemos porque somos apaixonados em saber e temos a convicção de querer (saber) mais. 
"Paixão" é por isso o primeiro quadro de cinco "Pilares do Conhecimento", pensados para um espaço empenhado em transformar e fazer crescer.
Sofia Martinho